BIM: Os reais riscos com a não-padronização da informação

27 Jan 2018

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Quais são os riscos em gerarmos modelagem da informação sem nos preocuparmos com a sua padronização? Neste artigo, vamos a um caso real, e pessoal, que resume de forma digna a quais riscos se expõe os escritórios que não criam a sua padronização ou não a respeitam.

Era Julho de 2016. Apesar de se tratar de um grande escritório de projetos, que possuía, na época, excelentes recursos físicos, humanos e financeiros, percebia que a omissão por parte da gerência do escritório com relação a algumas atitudes dos projetistas resultaria, em médio prazo, em graves problemas ao escopo pretendido pela equipe: entrega de projetos legais e executivos.


Na ocasião, fui contratado para planejar, criar e gerenciar arquivos da biblioteca do escritório, principalmente os arquivos de família de Revit, envolvendo famílias das disciplinas de arquitetura e MEP, tendo recém feito duas semanas de chegada ao escritório. Apesar de possuir esta função, tinha liberdade de fazer incursões no modelo e averiguar a forma com que os colaboradores modelavam a informação, checando padrões e métodos. Por conta destas incursões, em determinado momento percebi que havia uma notória, e problemática, defasagem entre a padronização da nomenclatura de elementos documentada no servidor e a nomenclatura efetivamente aplicada nos projetos. Pouquíssimos padrões estavam sendo aplicados. Perceba, portanto, que o problema não foi a inexistência de padronização, mas a não adesão a esta.


Como um dos gerenciadores da biblioteca do escritório, eu deveria recorrer ao BIM Manager antes de tomar qualquer decisão estrutural e/ou comportamental. Dessa forma, ao perceber a defasagem entre o padronizado e o efetivado, informei-o de tal. De imediato, foi idealizado um plano de ação para retornar a modelagem ao padrão especificado. Porém, uma análise para averiguar o tamanho da defasagem deveria ser feita antes de planejar as ações de melhoria.

 

Dentre as não conformidades ao padrão estabelecido, a questão da nomenclatura dos materiais era a mais grave. Justamente pelo modelo ter sido construído sem ter a regra de seus nomes respeitada, havia inúmeros materiais criados mas que, na verdade, deveriam representar a mesma coisa. Por exemplo: ".alvenaria.14x19x29", ".Alvenaria.14x19x29", "ALVENARIA.14x19x29", "ALV_14x19x29" etc: todos devendo representar o material de Bloco cerâmico de 14 x 19 x 29 cm. Um dos objetivos da padronização da informação é fazer com que tabelas, filtros e regras funcionem conforme planejado. Por exemplo, digamos que, dentre todos os materiais de alvenaria listados acima, o definido como padrão era o "ALV_14x19x29". A tabela para extração de informação de quantitativo de alvenaria buscará os materiais que possuem o termo "ALV" em seu nome, da forma com que está escrito. Portanto, para estes modelos do exemplo, apenas as paredes que possuírem o material "ALV_14x19x29" serão consideradas em tabelas de quantitativo de materiais. As demais, não. Foi este o problema encontrado em uma das incursões ao modelo, problema cujo existia em vários projetos em curso no escritório.

 

Como tínhamos, aproximadamente, 15 projetistas atuando na parte arquitetônica do modelo, cada um produzia e utilizava materiais sem a devida supervisão do BIM Manager que, por questões gerenciais, estava com "as mãos atadas" pela gerência do escritório, pois os prazos estavam apertados demais para realizar qualquer reciclagem. As não conformidades precisariam ser corrigidas com urgência máxima. No fim das contas, os quantitativos de vários modelos foram entregues com qualidade duvidosa.

 

Vamos às principais causas deste problema:

  • primeiramente, a inexistência de uma política interna para treinamento de novos contratados. Cada novo projetista era avisado do local no servidor em que podiam encontrar as definições e padrões do escritório, porém não era dada a devida importância de adesão, por parte do BIM Manager, em convencer os projetistas a utilizarem-nas. Resultado: criou-se um hábito organizacional em que não se via a real importância na utilização e, portanto, não se a fazia;

  • em segundo lugar, a omissão, por parte da gerência ao "suprimir" o plano de ação mais adequado para garantir a devida qualidade à modelagem entregue. O planejamento das atividades não previa um período para averiguar a qualidade da modelagem (fazendo uso do departamento de BIM);

  • em terceiro, porém não menos importante, o desencontro entre os departamentos comercial e técnico. Por padrão, o setor técnico não fazia parte das definições de escopo e prazo de entrega dos produtos, gerando mal estar organizacional e, logicamente, desencontros nos prazos. Também por padrão, o setor comercial não tinha total compreensão da modelagem da informação e tudo que acarreta entregar um modelo assertivo à tempo;

Moral da história: não transforme seu escritório em uma Torre de Babel; padronize e documente!

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