Sobre o trabalho colaborativo

19 Mar 2018

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Apesar de parecer extremamente genérico e aplicável em qualquer nível de qualquer corporação, o trabalho colaborativo a que me refiro neste artigo é bem específico: o aplicado em fluxos de trabalho BIM.

 

Afinal de contas, tanto se ouve falar sobre este assunto em seminários, fóruns de discussão, grupos de estudo, capacitações… mas de que forma, na prática, é possível garantir um trabalho colaborativo de modo a atender todos os stakeholders?

 

1. Adequar o mindset.

Não vejo como começar essa lista de forma diferente. Antes de falar sobre qualquer ferramenta, conceito BIM ou mesmo projeto, é vital que todos os envolvidos estejam predispostos a trabalhar colaborativamente. O acesso a uma ferramenta BIM que proponha e dê todas as chaves para um trabalho colaborativo não garante que este seja executado, da mesma forma que ter o acesso a uma ferramenta BIM não garante um bom projeto. Neste caso, trata-se de um ser humano, não de sua ferramenta. Portanto, é necessário que antigos paradigmas e vícios de trabalho sejam deixados de lado para criar uma sinergia dentre todos os envolvidos para, com o auxílio de ferramentas BIM, praticar o tão falado trabalho colaborativo.

 

2. Planejar a estrutura.

O trabalho colaborativo em BIM pode se dar de duas formas distintas: a partir de uma LAN, onde os colaboradores utilizam uma rede local de comunicação; ou a partir de uma WAN, onde a colaboração se dá a partir de uma hospedagem em nuvem, permitindo colaboradores externos à organização a acessar o modelo de forma descomplicada. Apesar de complexo, e às vezes um pouco imprevisível, é necessário estudar qual estrutura será necessária em cada novo trabalho, considerando todos os stakeholders (projetistas, gerentes, clientes, investidores, fornecedores etc). A partir do dimensionamento da estrutura mais adequada, garante-se o meio em que os trabalhos serão executados.

 

3. Utilizar ferramentas propícias.

De acordo com a BuildingSMART, ong internacional que define os padrões BIM para o mercado de AEC, atualmente existem mais de 200 softwares BIM no mercado que são compatíveis com a extensão de arquivo IFC - Industry Foundation Class -, extensão de arquivo universal, também criada pela buildingSMART para a troca de informações entre modelos BIM (ainda teremos um artigo para falar exclusivamente sobre este tema). Conforme definição feita pela OpenBIM, abordagem universal para projetos colaborativos em BIM, são considerados “softwares BIM” aqueles que importam e exportam arquivos IFC com poucas, ou nenhuma, informações perdidas ao longo do processo. Portanto, fazer uso de um software que tenha interoperabilidade com os demais é vital.

 

4. Comunicar com qualidade.

Desde que o homem aprendeu a se comunicar, aprendeu também a se organizar. Afinal de contas, nós, seres humanos com necessidades individuais e coletivas, precisamos encontrar a forma mais adequada de comunicação para suprir todas estas necessidades sem gerar ônus para qualquer parte. Trazendo esta definição para dentro das organizações, entende-se que uma comunicação de qualidade é aquela em que todas as partes envolvidas possam reportar e receber demandas de forma documentada, organizada e rastreável. É fortemente indicado que as partes envolvidas decidam conjuntamente qual seria a melhor forma de comunicar-se durante os trabalhos. Alinhando este conceito ao BIM, a partir de 2010, a Trimble e a Nemetschek começaram a fazer uso de arquivos XML que continham tópicos BIM (como propostas de mudança de projeto, problemas a serem resolvidos, demandas de informação etc). A partir dessa experiência, nasceu o BCF - Bim Collaboration Format -, padrão de comunicação formalizado pela buildingSMART (os temas buildingSMART e BCF também serão abordados exclusivamente em outros artigos). A partir do uso de uma ferramenta baseada em BCF, todas as partes interessadas possuem duas bases de acesso aos tópicos: base web e base API do software que utiliza, sendo ambas integradas e capazes de levar todas as demandas devidamente classificadas a quem interessar.

 

5. Analisar, realinhar e aprimorar o processo.

Ao longo do processo do projeto, algumas mudanças e definições de última hora podem ocorrer, fazendo com que rotinas e padrões, estabelecidos no início dos trabalhos, sejam modificados e não devidamente documentados e/ou validados dentre todas as partes. Considerando uma continuidade e qualidade de todos os entregáveis dessas partes, é importante que, além das reuniões de projeto que naturalmente ocorrem ao longo do processo, ocorram reuniões estruturais para avaliar e validar as alterações que porventura ocorram no que tange o assunto comunicação e analisar, junto à parte técnica, o quão eficientes estas definições realmente são.

 

Resumidamente, podemos observar que todas estas dicas fazem parte de uma ferramenta muito conhecida e aplicada por gestores: o ciclo PDCA - Plan, Do, Check and Act (Planejar, Fazer, Checar e Atuar). Afinal de contas, respeitando a linha do tempo lógica do processo, temos: a adequação do mindset da equipe e o planejamento da estrutura (Plan); a utilização das melhores ferramentas e a comunicação de uma forma eficiente (Do); e a análise, o realinhamento e o aprimoramento do processo (Check e Act). Fazendo uso desta lógica, nós da FGAEC garantimos que a qualidade do trabalho colaborativo realizado dentre as organizações será mantido ou aprimorado.

 

Bibliografia

http://www.buildingsmart-tech.org/specifications/bcf-releases

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